Tecnologia ajuda a reinserir trabalhador no mercado.

 


Victor Rosa | Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

 

Não é novidade que o avanço das tecnologias e a popularização da internet estão colaborando para que diversos processos, antes realizados por pessoas, possam ser realizados por computadores. Estas realidades são encontradas desde os grandes maquinários de fábricas de veículos, por exemplo, até o simples computador residencial. Um exemplo deste avanço é a facilidade de pessoas que estão desempregadas serem selecionadas para uma vaga de emprego sem precisar sair de casa.

Segundo uma pesquisa da Levee, startup que utiliza a inteligência artificial para aumentar a produtividade das empresas, nos últimos 11 meses de 2018, 87% das pessoas que conseguiram ingressar no mercado de trabalho foram inseridas por meio da inteligência artificial (IA).

Isso pode acontecer graças aos algoritmos, que podem ser considerados tarefas de cálculos matemáticos, processamento de dados e organização de informações. Ou seja, um conjunto de cálculos capaz de alcançar um objetivo ou traçar uma linha de pesquisa, como, por exemplo, indicar para uma empresa uma pessoa que se enquadre no seu perfil de funcionários. Eles também são conhecidos como algoritmos estruturados.

Contudo, nem sempre foi assim. Também existem os algoritmos não estruturados. De acordo com o professor de ciência da computação da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Tiago Januário, algoritmo é um conjunto bem definido de instruções, livres de qualquer tipo de ambiguidade, que devem ser seguidas com o objetivo de realizar uma tarefa.

“Tal tarefa pode, em muitos casos, ser uma atividade do nosso dia a dia, como dirigir, se vestir, preparar alguma receita do seu bolo favorito, preencher um formulário, etc. Com os computadores que houve uma ressignificação do termo. O funcionamento de algoritmos pode ser facilmente associado ao funcionamento de uma rotina, com etapas bem definidas”, explica.

“Livros de história da computação citam que arqueólogos encontraram tábuas de argila, datadas do ano 300 antes de Cristo, com instruções sobre como realizar o controle de estoque de alimentos. Com a evolução do ábaco, o desenvolvimento da álgebra e a utilização de símbolos para representação de informações, os algoritmos tomaram o formato de rotinas que conhecemos hoje. Um dos principais marcos na evolução dos algoritmos se deu após a revolução industrial, onde se viu necessário configurar máquinas para a realização de tarefas mais complexas e repetitivas dentro de centros de produção”, completa Tiago Januário.

Até 500 fatores

A utilização dos algoritmos para ajudar uma pessoa a conseguir emprego se dá por meio da união das três unidades envolvidas: a empresa que cria o algoritmo, a empresa interessada em utilizar esta tecnologia e a pessoa interessada no emprego.

Segundo o CEO e fundador da Levee, Jacob Rosenbloom, os algoritmos desenvolvidos para este fim costumam analisar até 500 fatores dos candidatos cadastrados, que vão desde expectativas prévias até personalidade.

“Para que isso aconteça, fazemos um estudo aprofundado da empresa interessada. Detectamos os perfis que a empresa procura, os perfis que costuma contratar e como funciona o trabalho. Assim, conseguimos desenvolver um cálculo que busca o candidato mais adequado para aquela empresa”, diz Jacob.

O intermédio entre as empresas e o candidato ocorre através de algum site de busca de emprego, que utiliza a inteligência artificial. A paulista Anayara Oliveira, de 21 anos, conseguiu um emprego como assessora de vendas das lojas Pernambucanas, em São Paulo, após se cadastrar em um site de vagas.

Conforme Anayara, ela chegou a ir a uma loja física, mas informaram que a seleção era feita toda pela internet. “Foi tudo muito rápido. Eu cheguei em casa, me cadastrei no site de vagas e no outro dia já tinha sido chamada para uma seleção”, comenta a assessora de vendas.

Anayara ficou dois meses entregando currículo nas lojas e sem conseguir emprego. Para ela, a tecnologia está sendo um fator muito importante para ajudar as pessoas a conseguir entrar no mercado de trabalho com mais facilidade.

“É um processo muito simples. Você acessa o site de vagas e coloca todos seus dados lá. Eles fazem diversas perguntas, desde as básicas, como nome e idade, até últimos empregos, experiências profissionais, essas coisas”, aponta Anayara.

Segundo o analista de sistemas da Soft Line Consultoria em Sistemas de Informação, Sandro Lisboa, esses dados coletados pelo site que ajudam os algoritmos a encontrarem o perfil considerado ‘ideal’ para a vaga disponível.

“A partir desse modelo, o algoritmo, através de cálculos e fórmulas, consegue selecionar uma determinada quantidade de candidatos aptos à vaga”, explica o analista de sistemas.

No Brasil, atualmente, mais de mil empresas utilizam os algoritmos para contratar seus funcionários. Ainda segundo a pesquisa da Levee, os recursos de inteligência artificial aplicados à empregabilidade ajudaram a injetar R$ 207,1 milhões na economia do ano passado.

Para Sandro Lisboa, a inteligência artificial tende a avançar cada vez mais e ocupar mais espaços no futuro. “Como exemplo, podemos citar quando vamos ao mercado, informamos nosso CPF e recebemos uma nota fiscal ao consumidor eletrônica (NFCe). O governo sabe exatamente o produto que você comprou devido ao NCM (nomenclatura comum do Mercosul). Ser utilizada para ajudar no mercado de trabalho é apenas um dos passos rumo ao futuro”, finaliza o analista da Soft Line.

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